Raças com alta rusticidade são as mais ideais para o clima árido da região nordestina e trouxemos aqui as melhores delas para a pecuária de gado leiteiro.
O Brasil tem o segundo maior rebanho do mundo, perdendo apenas para a Índia, mas como o país não comercializa seus animais, hoje o nosso país possui o maior rebanho comercial de gado do mundo e este é um dos principais produtos para a economia do nosso país, mesmo assim enfrentamos diversos desafios para a criação. Claro que é possível encontrar animais com alta rusticidade e resistência, mas os avanços da tecnologia nos ajudaram a fazer o melhoramento genético para conseguirmos aprimorar o nosso rebanho ainda mais.
Entretanto, quando olhamos para regiões como o nordeste brasileiro que possui o clima semiárido e pouca chuva, o desafio fica ainda maior para os criadores, já que eles precisam de raças fortes e que resistam às condições mais adversas que a natureza pode oferecer, mas sem abrir mão da qualidade ou números de produção.
Neste post, queremos apresentar o panorama geral para a criação de gado leiteiro para a região nordestina e te mostrar quais são as raças mais indicadas e que podem oferecer o melhor custo-benefício.
O solo nordestino
Apesar de sermos um país tropical, a região nordestina possui um clima semi-árido, ou seja, altas temperaturas e pouca chuva, ter uma criação de gado aqui é um grande desafio, pois precisamos de raças resistentes e que consigam se alimentar mesmo em um solo com poucos nutrientes devido aos baixos índices de chuva, além da resistência a parasitas sem a necessidade cuidados especiais ou medicação que pode deixar vestígios no leite.
Sabemos que a pecuária vai muito além de escolher o tipo de gado certo para cada região, é imprescindível levar em consideração a alimentação, o bem estar e os nutrientes que esse animal precisa consumir para ser produtivo, por isso escolher um bom pasto também é bem importante para você começar a sua criação.
Para escolher a melhor pastagem para o seu rebanho, considere os seguintes itens:
- Forrageira: escolha a que se adequa melhor ao clima da região nordestina e aos seus fenômenos climáticos. Tenha sempre em mente que o clima semiárido proporciona um cenário trabalhoso;
- Fertilidade do solo: caso o solo seja pobre, é importante levar em consideração que a reposição não será natural, por isso considere quais as estratégias que deseja abordar.
Além disso, você também pode conversar com os criadores que já estão no local para ver o que funciona e o que não funciona, estude a região com base nas forrageiras existentes para avançar a partir disso e não fazer um investimento errado ou que possa prejudicar a sua criação.
Como falamos, escolher o gado leiteiro não é tudo, mas é um ponto muito importante e é isso que queremos trazer para você: as melhores raças para criação de gado leiteiro no nordeste brasileiro.
Guzerá – O Gado que resistiu a Grande Seca
Antes de falar sobre o gado Guzerá no Brasil, é importante conhecer um pouco melhor da sua história. Ele é a primeira raça zebuína a ser domesticada pelo homem e seus primeiros registros na história da humanidade são de 1500 a.C. Ele é tão importante para a história da Índia que o Ministério da Agricultura do país usa o Guzerá como símbolo.
Apesar de ser considerado uma raça indiana, também há registros do Guzerá Leiteiro na região do Paquistão e Iraque, dificultando que historiadores encontrem sua origem com exatidão. Há ainda quem considere o Guzerá uma raça brasileira, parente da raça Kankrej, mas nós consideramos os dois a mesma raça.
A chegada ao Brasil
O Guzerá leiteiro também foi o primeiro da raça zebuína a chegar ao Brasil, por volta de 1870. A raça tem dupla aptidão, ou seja, é ideal para produção leiteira e também para o corte de carne, mas quando chegou no país também foi essencial para ajudar a puxar carroças e vagões de café.
A consolidação da raça em nosso país ocorreu entre os anos 1978 a 1983, período que ocorreu a Grande Seca no Nordeste brasileiro, onde foi a única raça de gado leiteiro que conseguiu resistir a um período tão duro, então uma raça que foi quase abandonada ganhou papel de destaque em nossa criação.
Os benefícios do Guzerá
A espécie se adaptou muito bem ao cerrado brasileiro, pois mostrou que é capaz de resistir a grandes períodos de seca até encontrar alimento e água. A sua rusticidade também é um ponto muito positivo, já que o Guzerá Leiteiro mostrou que possui grande resistência a doenças e carrapatos.
A vaca Guzerá pode ultrapassar os 5000 litros de leite por lactação e é extremamente fértil, com capacidade de se reproduzir nas condições mais adversas. Se é manejada corretamente, pode ter uma cria a cada 13 meses. A qualidade do seu leite também é notável, já que ele não causa alergia ao ser humano e tem baixa contagem de células somáticas (CCS).
Parece até que o gado Guzerá foi criado exatamente para o sertão nordestino.
Sindi Leiteira – Do deserto ao nordeste
O berço da raça Sindi é no Paquistão, mais especificamente em Kohistan na Província de Sind que fica na região norte e é conhecida por ser desértica e muito seca. Possivelmente é por causa de sua origem que fez com que o gado Sindi se adaptasse tão bem ao clima nordestino.
As primeiras importações ocorreram mais ou menos em 1850, mas foi somente na década de 30 que a raça conseguiu se consolidar no Brasil e logo depois outra exportação de qualidade em 1952. Hoje em dia, é a raça mais explorada na região nordestina, a mesma região que corresponde a 77,16% da criação no país.
Um animal com muito potencial
A Sindi leiteira apresenta alta rusticidade, capaz de transformar as pastagens mais difíceis em carne e leite de qualidade. A região nordestina começou a explorar mais a raça exatamente por ela se adaptar tão bem a pastagens de baixa qualidade e ser tão resistente a doenças.
O cruzamento desta raça mostra ainda mais o seu potencial, seja com o Gado Holandês ou com o Jersey, as pesquisas já têm apresentado animais com a rusticidade da Sindi e aumento na produção de leite como o gado holandês e o jersey. Os resultados destes cruzamentos tem tudo para ganhar o coração da pecuária brasileira.
Os benefícios da raça Sindi
A Sindi leiteira exige poucos recursos alimentares e baixa manutenção também. Por ser proveniente de uma região desértica, adapta-se facilmente a diferentes condições de clima e solo sem comprometer a sua produtividade, caindo como uma luva para os criadores de gado do Nordeste.
A produção de leite tem em média de 2560 a 3000 kg e 5,0% de teor de gordura em um período de lactação aproximado de 305 dias, mas não é apenas para a produção leiteira que a Sindi pode ser usada. O animal apresenta também uma ótima carne para corte, oferecendo mais produtividade para os seus criadores.
É possível perceber que com carinho, dedicação e trabalho árduo, não há nenhuma região brasileira que não seja favorável à produção leiteira. Esperamos que tenham gostado e não esqueçam de compartilhar com a gente os resultados da sua criação.