Conheça três tipos de cruzamentos da Raça Gir que podem otimizar sua produção de leite e melhorar seu rebanho.
Tenho certeza de que se você é criador de gado Gir leiteiro, acorda todos os dias de manhã pensando em como você pode melhorar a sua produção de leite, não é mesmo? Se você chegou até aqui é porque você está sempre à procura de informações e tendências que podem otimizar o seu rebanho. Sabia que você pode fazer isso por meio do cruzamento de raça?
A pecuária brasileira é muito avançada quando falamos em pesquisa genética, tanto que países que possuem o clima tropical similar ao nosso estão sempre de olho nos nossos estudos e comprando no nosso mercado tanto embriões quanto matrizes. Desde que a raça Gir chegou ao Brasil, em 1911, produtores de todo Brasil e até mesmo o governo investem em como aumentar a produção e qualidade do leite.
Mas antes de entendermos todos os cruzamentos da raça Gir, vamos lembrar o por que essa raça é tão especial?
Entendo a história da Raça Gir
O primeiro registro do Gado Gir no Brasil foi em 1911, vindo diretamente da península de Gir, região da Índia. A princípio sua criação foi concentrada no triângulo mineiro, porque na mesma região já havia outras criações de bovinos da raça Zebu, mas com o passar dos anos a produção se estendeu a outras regiões brasileiras.
O Gado Gir chegou ao Brasil por causa da sua carne, mas com o tempo os criadores perceberam que ele apresentava um ótimo custo-benefício para a produção de leite, já que ela possui alta rusticidade e boa resistência a parasitas, dispensando o uso de medicamentos que podem deixar vestígios no leite.
Além disso, o Gir Leiteiro tem longevidade tanto reprodutora quanto reprodutiva, o que significa que produz mais leite e com maior percentual de proteína A2A2. Por isso, iniciativas tanto privadas quanto governamentais se uniram para investir no melhoramento genético da raça para melhorar ainda mais o seu custo-benefício.
Esses estudos começaram quando os criadores perceberam que, mesmo com a espécie se adaptando bem ao clima brasileiro, a produção leiteira do Gir era inferior quando comparada aos números de outros países. Várias hipóteses foram levantadas para descobrir o motivo, que foi cogitado desde o manejo, até a forragem ou qualidade genética. Foi então que perceberam a necessidade de fazer o melhoramento genético e uma das melhores formas de fazer isso é por meio do cruzamento com outras raças.
Gado Girolando – Uma raça puramente brasileira
Não é por acaso que o gado Girolando é uma das raças mais famosas e queridas do Brasil. Tudo começou a partir de um acidente, mas diante disso, especialistas começaram a fazer estudos aprofundados e perceberam que esse acidente era na verdade uma das melhores coisas que poderiam acontecer.
O cruzamento do Gir com uma das raças européias mais distintas, o Gado Holandês, começou a ser pesquisado, analisado e acompanhado de perto e se tornou uma das maiores e melhores evoluções genéticas da pecuária brasileira.
Vamos entender melhor essa história
Há quem diga que os primeiros exemplares de Girolando surgiram em meados da década de quarenta, quando um touro da raça Gir invadiu uma pastagem de vacas holandesas e cruzou com algumas delas. Os criadores perceberam que o resultado desse cruzamento contemplava o que havia de melhor nas duas espécies e começaram a fazer isso intensamente, mesmo que de forma desalinhada.
Foi no final da década de 70 que o Ministério da Agricultura conduziu um estudo junto com associações leiteiras para traçar as regras para a formação do Girolando. O Gado Leiteiro Tropical se tornou um patrimônio genético e uma raça brasileira. Para ser considerado um Girolando Puro Sintético (PS), ele deve ser um 5/8, mas você ainda pode encontrar Girolandos de meio sangue, 3/4 e 7/8, que são essenciais para a composição genética.
O que chama mais atenção do gado Girolando é a sua superioridade, pois ele herdou tanto a rusticidade do Gir que é tão importante para sua adaptação, quanto a alta produção leiteira do Holandês, tornando-se um gado exemplar, já que reúne as características mais importantes das duas raças em um único animal.
Esse cruzamento foi um verdadeiro marco na pecuária brasileira, pois os criadores sentiam muita necessidade de encontrar um gado que se adaptasse bem aos climas tropicais e subtropicais sem que a produção de leite fosse afetada.
Gado Girsey – Precocidade e Qualidade
Antes de falarmos da raça Girsey, que é uma raça relativamente nova, vamos entender brevemente a sua origem. O Gado Jersey é proveniente da Ilha de Jersey, que é uma pequena ilha no Canal da Mancha entre a França e a Inglaterra. Essa é uma ilha bem pequena e tinha a necessidade de ter uma raça mais compacta, adaptada às limitações da ilha e, hoje em dia, é uma das raças que se manteve mais pura.
Como características do Jersey podemos encontrar:
- Se adapta bem a diversas temperaturas e condições de parto;
- O leite possui mais qualidade;
- Alta precocidade e prolificidade;
- Vida produtiva mais longa;
- Uma raça extremamente dócil.
Entendendo o Gado Girsey
O cruzamento entre o Gir Leiteiro que é da raça zebuína com o Jersey, que é uma raça taurina, criou o nascimento dessa nova raça, o Girsey. Apesar de ainda não ser uma raça muito conhecida, pois ainda estão sendo feitas pesquisas sobre essa raça, tudo indica que é um cruzamento promissor.
Tudo indica que a vaca Girsey pode potencializar a produção de leite a pasto. O primeiro ponto é que ela herda do Jersey a precocidade, a idade média do primeiro parto é aos 28 meses, quase 20 meses antes da média nacional o que pode reduzir consideravelmente o custo de criação da novilha. Quando comparada com o Girolando, a Girsey tem duas lactações a mais.
O segundo motivo é o tamanho das vacas, já que quando se trabalha com produção de leite a pasto, o que conta é a produção por hectare e não por animal. Como é uma raça menor, é possível ter mais animais por área, o que reflete na produção.
O terceiro e mais importante motivo é a qualidade do leite, pois ele possui maiores teores de sólidos, gordura e proteína. Como o pagamento pela qualidade tem se tornado uma tendência, o Girsey pode ser muito interessante economicamente falando.
Giropar – O que essa novidade pode representar
Quase nada é falado sobre a raça Giropar, isso porque essa raça é bem mais nova do que o Girolando e o Girsey. A verdade é que pouco se sabe ainda sobre o cruzamento do Gir leiteiro com o Pardo Suiço. É mais comum encontrarmos seu cruzamento com outras raças zebuínas, como o Nelore e o Guzerá, mas esses cruzamentos são mais voltados para o gado de corte.
Os estudos sobre o Giropar ainda estão em fase de experimentação, mas seu objetivo é produzir um animal que produza bem leite a pasto com menor custo, considerando a rusticidade que é essencial para a produção de leite e fêmeas produzindo leite por mais tempo.
Esperamos que essa pesquisa tenha sucesso, pois o Pardo-Suíço é uma raça cheia de qualidades, como a alta conversão alimentar, a precocidade, alta produção leiteira, chegando a 2500 quilos em 200 dias, viabilidade econômica em confinamento.
Podemos concluir que, independentemente da raça, o cruzamento do Gir leiteiro pode ser muito benéfico para a sua produção leiteira, pois todas elas apresentam qualidade, rusticidade e precocidade, tudo isso adaptado aos climas tropicais e subtropicais. Esperamos ter ajudado a encontrar o melhor cruzamento para otimizar sua produção de leite a pasto.
Nos vemos em breve com mais novidades!